Há 20 anos, os ataques coordenados realizados pelo PCC (Primeiro Comando da Capital) no estado de São Paulo expuseram fragilidades no combate ao crime organizado. Embora avanços tenham ocorrido de 2006 para cá, parte dos problemas persiste em um cenário no qual a força dessa e de outras facções é consideravelmente maior e mais disseminada no país.
O aparato policial, jurídico e legislativo passou por mudanças, e novas leis surgiram tentando dar conta de dinâmicas que favoreciam o avanço dos grupos armados.
É o caso da Lei das Organizações Criminosas, de 2013, que, entre outros dispositivos, regulamentou a colaboração premiada. Tribunais criaram varas especializadas para dar mais celeridade às investigações e julgamentos. E as operações policiais, esparsas há duas décadas, ficaram mais frequentes.
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O combate deve ser feito em conjunto por todas as forças de segurança, afirma o advogado Leandro Sarcedo, doutor em direito penal pela USP e professor da mesma instituição. “Falta investimento nas polícias e na compreensão de que, sem uma inteligência robusta, nós não conseguiremos avançar”, diz.
A SSP (Secretaria de Segurança Pública) de São Paulo declarou à Folha que o enfrentamento ao crime organizado em São Paulo está estruturado em três frentes principais: inteligência, investigação qualificada e descapitalização das facções. É uma estratégia que trabalha com integração entre forças estaduais, Polícia Federal e Ministério Público, afirmou a pasta.
A SSP afirma que também investe em tecnologia, monitoramento e modernização das estruturas policiais, além da expansão de unidades especializadas da Polícia Civil e da Polícia Militar. Segundo a gestão, o objetivo é reduzir a capacidade operacional e financeira das organizações criminosas.