Suspeitos de atacar cão Orelha podem ser presos? Pais podem ser processados?

03 de FEVEREIRO de 2026 • Por:

Maus-tratos a animais como os que resultaram na morte do cão Orelha são punidos pela lei brasileira com penas que vão de dois a cinco anos de reclusão. Porém, no caso dos suspeitos do ataque, a legislação aplicável é o ECA, o Estatuto da Criança e do Adolescente, e não o Código Penal.

A Constituição brasileira estabelece como inimputáveis todos aqueles menores de 18 anos. Assim, o que é descrito como crime ou contravenção penal é tratado, nessa legislação especial, como ato infracional. Adolescentes que cometem esses atos estão sujeitos a responsabilização.

“As punições previstas no ECA são denominadas medidas socioeducativas e podem ser advertência; obrigação de reparar o dano; prestação de serviços à comunidade; liberdade assistida; inserção em regime de semiliberdade ou internação em estabelecimento educacional”, explica o criminalista Leandro Sarcedo, doutor em direito penal pela USP e professor da mesma instituição.

Na avenida Paulista, manifestantes disseram que os adolescentes “não são crianças”, mas “assassinos”, e gritaram a favor da redução da maioridade penal. Ambos os especialistas ouvidos pela Folha dizem que o caso deve ser analisado com cautela.

Para Sarcedo, por exemplo, eventual redução nem é permitida pelo arcabouço legal brasileiro porque a medida mexeria com cláusulas pétreas da Constituição —aquelas que não podem ser modificadas nem por emenda constitucional.

Segundo ele, parece “absolutamente casuístico e fora de contexto utilizar-se de um caso com este, que é grave e revoltante, mas em nada se liga à real problemática da segurança pública e da proteção da adolescência em nosso país, para defender essa pauta”.

Leia a íntegra em Folha de S.Paulo

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